quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"Naquela mesa tá faltando ele, a saudade dele tá doendo em mim"




Quem acompanha minha vida (hoje em dia não é difícil) já deve saber que a passagem de ano não foi lá das melhores. E como já me disseram vários professores e amigos, eu gosto de ser suscinta, objetiva, direta no que escrevo. E ainda, como já disse uma amiga, me lendo dá pra me conhecer mais. Pois bem, levando em consideração tudo isso, vim falar motivada pelo que aconteceu com meu primo Marquinhus. Também não sei o por que. Talvez pra desabafar de uma vez o que fica aqui no coração, na garganta, não sei direito, sei que dói.



Mais do que nunca passei por duas representações seguidas. Primeiro, um velório, depois, uma festa de passagem de ano. Não tenho como fugir dessa comparação, já que eram as memas pessoas nos dois lugares, com execeção de alguns parentes mais distantes.



Devo que acreditar que, no momento mais triste, poucos representavam, a emoção era sincera. Mas a filha do meu primo, que ainda tem 9 anos, fez duas observações que retratavam bem o ritual e o teatro daquele episódio, quando disse "Dani, de repente a minha mãe e a Tia X viraram amigas?" "Dani, quem a gente não conhece fala meus sentimentos?". A impressão que dá é a de que a família dele virou o objeto de desejo dos que estavam lá e dos que estão relativamente próximos. Todos querem saber como eles estão, querem dizer que são mais importantes pra eles do que os outros. Que ironia, se o Marquinhus estivesse lá, metade das pessoas nem perguntaria se ele passava bem. Assim era nas reuniões de família, a mesa da "ralé" como ele mesmo gostava de dizer, ficava separada, num cantinho onde dava pra fumar e beber cerveja, e onde o caviar não chegava.



À meia-noite as ações mais espontâneas deixam claro que são atores e atrizes presentes naquela sala. As crianças, que ainda estão aprendendo a representar, soltam fogos. Eu, que por um instante fugi do papel, coloco a música da virada no dvd, e quando termino, minha mãe atrás de mim diz "Filha, Feliz Ano Novo, né?" "Ah é, tinha esquecido, mãe". Após aproximadamente 32 cumprimentos, as pessoas começam a se questionar "já dei feliz ano novo pra você?" "ah..pra você eu já dei, né?" "ah, não dei? então feliz ano novo". Naqueles que tiveram o ano pior, ou nos mais próximos, o abraço é mais longo. É regra, não pode se esquecer disso nem um instante, e tem de mostrar aos outros como é importante seguir a risca todo o comportamento pré-determinado.



Se soubessem como era bom se sentar naquela mesa do cantinho, ah, todos dispensariam o caviar e o whisky.



Agora já digeri tudo isso, e a ralé não é mais significativa. Como encarar a próxima festa que se aproxima?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ainda querem que a torcida compareça?


Com o São Paulo perto do hexa do Campeonato Brasileiro, aumentam as pressões, tanto da imprensa, quanto do elenco e do técnico, para que a torcida vá ao estádio. A torcida compareceu esse domingo no lindo jogo contra o Internacional, mais de 54 mil (desconfio do cálculo, mas depois explico). A festa devia ter sido perfeita, se não fosse a maneira que tratam os torcedores, parece até que nós precisamos do clube, e não o contrário.


O fato é que eu estava com o ingresso da arquibancada vermelha, mas, chegando lá no portão o que encontrei foi tumulto e confusão: as catracas haviam quebrado, quem conferia os ingressos eram funcuionários, algo completamente amador, pois fica muito difícil reconhecer um ingresso falso dessa forma. No final, sem dar explicações, trancaram a entrada da arquibancada vermelha, e todos que estavam naquele portão foram para a amarela (que fica atrás do gol, o que é muito pior, na minha opinião). Como o jogo estava começando, ninguém reclamou, óbvio, mas, o mínimo, era nos colocarem em outro setor da vermelha, já que, quando entrei no estádio, percebi que a arquibancada vermelha estava lotada. Ou seja, a BWA é uma empresa horrível que não consegue administrar os ingressos.


Em outras ocasiões, a dificuldade era comprar meia entrada ou achar um ponto de venda que fechasse depois das 4 da tarde, ou algum mais acessível. O estudante que quer ir ao estádio com meia entrada tem que estar presente na hora da compra, no entanto, não precisa apresentar nada quando entra no estádio. Acho que todos souberam do escândalo da falsificação de ingressos que aconteceu com esta mesma empresa.


Que política é essa? Ingresso fácil? Como uma copa nesse estádio?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Qualidade de vida?


Eu sempre morei em uma cidade do interior, São Carlos. Por isso, nada é mais comum por aqui do que o "êxodo rural", as pessoas vão pra capital estudar, trabalhar ou por qualquer outro problema de [falta de] equipamento urbano.


Hoje eu fui comer um bauru com a minha família em um lugar escondidinho (um quintal de uma casa, onde o dono faz um bauru como ninguém, segundo opiniões do pessoal que freqüenta) e na mesa ao lado tinha um grupo de amigos. Claro que, sem nada pra fazer, eu fiquei ouvindo a conversa, e um dos caras disse "ah, acho que alguém fez a cabeça do fulano, ele tava resolvido a ir pra São Paulo", ai outro respondeu "ah, mas ele tá certo de ficar, vai trocar ibaté [cidadezinha mínima colada com São Carlos] por São Paulo?" ai uma mulher " É, e a qualidade de vida, né? Aqui dá até pra fazer pique-nique(?) na praça".


Primeiro: eu apostaria meu lanche (hehe) que essa mulher nunca faz pique-nique na praça, e que eles nunca moraram em São Paulo. Segundo: o que é qualidade de vida pra você?


Eu vivo muito mais feliz hoje, morando em São Paulo e vindo em finais de semana para São Carlos, e , com certeza, minha vida tem mais qualidade hoje! Não é nada pessoal, Carlinhos, eu adoro minha terrinha natal, mas gosto muito de São Paulo, e realmente acho que a cidade tem muito mais a oferecer!


Qualidade de vida pra mim é poder ter acesso a um universo cultural enorme, poder estudar na maior universidade do país, poder ir aos melhores shows, poder assistir aos jogos do meu amado time, e ter todas as opções de consumo, de especialistas em saúde e outras áreas. Morar em São Paulo é andar na Av. Paulista, ir ao Teatro Municipal, à Sala São Paulo, atravessar o viaduto do chá, andar de metrô, é acompanhar a mostra internacional de cinema, é abraçar a mochila enquanto caminha no centro velho olhando pra cima de tanto encantamento. Se eu quiser um pouco de verde, vou ao ibirapuera, ou até mesmo à USP. Quer coisa mais calma do que São Paulo de domingo?


Eu não quero tanta tranqüilidade assim, Ibaté é um tédio!


Que preconceito com São Paulo! Acho que não preciso ressaltar a importância da capital pro interior, né?



Obs: São Carlos tem tanta importância pra mim quanto São Paulo [e vice-versa...huhu]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eles têm pai, eu tenho um ventilador


Eu nunca tive pai, pelo menos na minha opinião. Minha mãe diria que eu tive até os 10 anos, minha avó, que eu tive um substituto. A verdade é que meu pai esteve presente enquanto eu era um bebê, e nessa época esteve presente mesmo, pelo que conta minha mãe, já que ele não deixava que me colocassem meia, não admitia barulho perto do meu quarto, e coisas desse tipo. Claro que foi muito importante esse cuidado nos meus primeiros anos de vida, mas eu não lembro de nada disso, então não reconheço o meu período com pai.



Depois disso meus pais se separaram, e a distância do meu pai aumentou, claro! Ele me buscava em alguns finais de semana com seu fusquinha azul e comprava presentes ou me levava na casa do meu tio rico pra andar de Jet-Ski(?). Ele tentava uma aproximação, era super carinhoso, eu evitava chamá-lo, porque sabia que meu dever era amá-lo e chamá-lo de pai, mas não conseguia pronunciar essa palavra.




Até que ele teve um derrame, e ficou na cadeira de rodas, e pior: meu tio rico o colocou num asilo. O lugar era agradável, cheio de árvores, mas não se adequava ao estilo de vida dele, que sempre gostou de festas e muita farra. Eu ia visitá-lo, com um sentimento de pena e com muita hesitação, já que intimidade nunca estivemos perto de ter.




Ele teve o segundo derrame e morreu. Eu chorei muito no velório, e me surpreendi com isso na época. Hoje sei que eu sentia muito carinho por ele, mas um carinho muito superficial.




Enfim, muito antes de ele morrer minha mãe arrumou um outro homem, com quem ela teve meus dois irmãos. O clima com meu padrasto sempre foi de guerra. Esse ano, como fui morar em outra cidade, a gente conseguiu coexistir! Meu tio Luiz, que é também meu padrinho já foi uma figura paterna presente, que dançou valsa comigo nas minhas formaturas e no meu aniversário de 15 anos. Sempre senti falta dessa figura paterna, pelo menos pra me incentivar no futebol, que minha mãe não me deixava jogar ("é coisa de menino").




No lugar do meu pai, tenho hoje um ventilador que ficou entre as lembranças que busquei na casa em que ele morava. Esses dias o calor está infernal aqui em São Carlos, e não sei por qual motivo só tem esse ventilador na casa. Meus irmãos queriam, mas eu disse que era minha herança! Resta saber o que é mais valioso...o pai deles ou meu ventilador?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Você espera por dois anos o lançamento de um disco, o 5° disco, e quando acha que começará a pré-venda, vem a notícia de que não haverá mais disco, nem banda.
Depois de enterrada a banda, com devidas despedidas (shows, cd, dvd), você recebe um disco, não menos esperado, de um dos integrantes da banda, e tem a mesma sensação de quando ouviu sentimental pela primeira vez, a sensação de que está conhecendo algo novo e que gostará muito.
Marcelo Camelo é ele no cd "sou", sou eu no cd "sou", somos nós.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"O que importa é o que te quebra em duas cidades"

Eu sou uma dividida, isso sim!
Carlos ou Paulo? O Carlos é bem tranqüilo, já o Paulo é hiperativo e sempre teve problemas com isso, desde a infância. Além disso, ele é empresário, enquanto que o Carlos é fazendeiro.
Eu adoro passar os dias de semana com o Paulo, mas não dispenso um final de semana bem sossegado com o Carlos.
O pior é que os dois se conhecem, negociam matéria-prima e tecnologia.
O difícil é aguentar os problemas respiratórios do Paulo: ele ronca a noite toda! E ainda chega estressado em casa todo dia.
Já o maior defeito do Carlos é que ele não se anima em fazer nada, só gosta de cinema se for dublado, e não aguenta duas horas de filme sem um intervalinho.
Enquanto não me decido, fico com os dois! Mais com o Paulo, mas isso é de menos, o Carlos nem se importa se eu fico duas semanas sem visitá-lo!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Viva nossos milionários!


"Em um ano, o Brasil elevou o seu número de milionários em 60 mil, passando de 130 mil em 2006 para 190 mil no ano passado, de acordo com dados do BCG. A fortuna desses milionários está estimada em aproximadamente US$ 675 bilhões, o que equivale a cerca de metade do PIB brasileiro. São classificados como milionários aqueles com mais de US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro." (Folha de S. Paulo de hoje)

Bom, a manchete e o trecho acima dispensam comentários. O pior é saber que, enquanto uns ganham dinheiro explorando outros ou sem fazer nada (bolsas de valores), a maioria vive no sufoco, muitas vezes sem água e sem comida.Mas acho que tudo que estou falando é lugar-comum, com certeza já sabem disso, a intenção era mostrar os dados, que ratificam a desigualdade social no nosso país.

E ai, Tucanos? E ai, Petistas? Vamos continuar com a política econômica! Viva nossos milionários! Eles sim, né! Ah, eles merecem, são eles que trabalham nesse país!